segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Poemas Azuis

Teu beijo não só é doce
É quente como uma tarde baiana
Ele é ondulado, ligeiramente, como teus cabelos
Teu beijo é assim mesmo, azul da cor do mar

As vezes não me sinto
Por sintonia completa nem me vejo
Apenas sinto o universo pulsando
Dentro do que instantes foi a minha mente
E nesses raros momentos só percebo
O azul claro dos meus sonhos, perdidos como eu

Outro dia estava eu passeando
Pelos teus olhos, subindo, descendo, ouvindo
Hora alegre, hora triste, em segundos que de tão intensos
Horas pareciam
Mas sempre te encontrando entre a terra
E o azul profundo do céu.

É só que te encontro,
Sem nada, sem ninguém
Eu, você e um sonho impossível
Talvez seja essa a maior vantagem de um sonho:
Amar sem limites

Oh mar azul de suaves ondas
De céu claro e cheiro de chuva
Mar de amor sem fim
Que se encontra tão longe de ti
Mas dentro de mim

Alexandre Alves Neto

domingo, 23 de agosto de 2009

Arte Poética

                                                   

Mirar el río hecho de tiempo y agua
y recordar que el tiempo es otro río,
saber que nos perdemos como el río
y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
que sueña no soñar y que la muerte
que teme nuestra carne es esa muerte
de cada noche , que se llama sueño.

Ver en el día o en el año un símbolo
de los días del hombre y de sus años,
convertir el ultraje de los años
en una música, un rumor, y un símbolo,

ver en la muerte el sueño, en el ocaso
un triste oro, tal es la poesía
que es inmortal y pobre. La poesía
vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
nos mira desde el fondo de un espejo;
el arte debe ser como ese espejo
que nos revela nuestra propia cara.

También es como el río interminable
que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
y es otro, como el río interminable.

Jorge Luis Borges

O Tigre


Tigre, tigre que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria?
Em que longínquo abismo, em que remotos céus
Ardeu o fogo de teus olhos?
Sobre que asas se atreveu a ascender?
Que mão teve a ousadia de capturá-lo?
Que espada, que astúcia foi capaz de urdir
As fibras do teu coração?
E quando teu coração começou a bater,
Que mão, que espantosos pés
Puderam arrancar-te da profunda caverna,
Para trazer-te aqui?
Que martelo te forjou? Que cadeia?
Que bigorna te bateu? Que poderosa mordaça
Pôde conter teus pavorosos terrores?
Quando os astros lançaram os seus dardos,
E regaram de lágrimas os céus,
Sorriu Ele ao ver sua criação?
Quem deu vida ao cordeiro também te criou?
Tigre, tigre, que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão, que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria?


William Blake
(Tradução Ângelo Monteiro)