domingo, 23 de janeiro de 2011

Meus Medos

Ainda não tenho medo da morte
Mas já trago a semente de uma história
Que ainda não foi contada

Vivo por cada sonho
Mas já escuto o tic tac do tempo
Como se cada tarde terminasse mais cedo

É medo do tempo
Das coisas que ainda não fiz

Alexandre Alves

domingo, 9 de janeiro de 2011

Solidão

Tempo suspenso num cósmico momento,
ar suprimido nos pulmões da vela
a brandamente iluminar um sentimento
que num passo silencioso, oculta a sentinela!

Ar rarefeito de uma paz interna melodiosa,
a resguardar o mágico rosto de uma imagem,
ondas do oceano numa dança harmoniosa,
mostram ao andarilho da luz, mais uma miragem!

Tempo distante que esconde um segredo,
futuro da ilusão que vive a prescrutar
um passado que, na lembrança do medo,
vive um eterno presente sem saber o que é amar!

Espírito da vida que descobre seu lugar,
caminhante solitário que reina inerte na solidão,
pedras, memórias, palavras, sonhos sobre um altar,
caladas pegadas a deixar seu rastro em meu coração!

Marco Pardini

Oceano

Murmúrio de náufragos silenciosos,
penetram no ouvido mais profundo,
a suplicar ajuda ao voluntarioso,
ou retornar calados ao outro mundo!

Na infinidade do novo horizonte,
surge ao longe enigmáticos corsários,
a reluzir ao sol um dourado estonteante,
explodindo o medo nos corações mercenários!

No tempo do inanimado surge um retrato,
azul, doce azul que como tinta banha o oceano,
de um cenário que retrata um triste e falso fato,
intenso aroma do vento que me leva, por engano!

No silencioso momento do infinito,
fito o impossível, impávido a mostrar,
sua grandeza em simplicidade, me limito,
a agradecer a lágrima que desce do olhar!

Marco Pardini

Ilusão

A escuridão do anoitecer que vem anunciar
a luz do amanhecer em seu esplendor,
ódio que invade as vaidades a afastar
o medo que impede a alma de provar o amor!

Solidão que prenuncia a vida em sociedade,
cegueira do espírito que abre a janela
da clara visão de quem vive sem maldade,
a enxergar na fera, a beleza da bela!

Covardia que afugenta com seu medo,
a insegurança daquilo que não se pode ver,
o tempo do amor que de tarde se tornou cedo,
ateu que no templo da vida aprendeu a luz ver!

Na companhia de si mesmo sente o abandono,
em viver uma realidade que é pura ilusão,
descobriu que no limiar da morte não há dono,
senhor do nada, a levar de si, um punhado de emoção!

Imagens de sonhos inundam minha retina,
a bailar como fantoches, profundos pesadelos,
noites com sol, verdejantes montanhas com neblina,
a construir nos erros, vidas secas, sem modelos!

Fino véu de luz a encobrir os olhos da vaidade,
trazem a certeza da dúvida à nossa existência,
trilhar nos caminhos do desapego o encontro da verdade,
da plebe humana, dar ao rei, sua falsa excelência!

Curtos passos que nos encaminham ao profundo,
mostrando quão raso é a profundidade do oceano,
a encarar a doce polaridade do nosso mundo,
na certeza da ignorância é que se comete o engano!

Ventos gelados do eterno vem me aquecer a alma,
retire de minha visão a farpa que hoje me ofusca,
que eu aprenda na flora, a doce magia da fauna
no reverso da fuga, o encontro da minha busca!

Marco Pardini

Chuva

Chuva fina que percorre os céus,
a cair em queda livre a cantarolar,
correndo pelos vales, descortinando véus,
lavando a mentira, ensinando a amar!

Chuva constante que a alma vem tocar,
doce gota do inifinito que toca o telhado,
suave toque que faz o pássaro voar,
lágrima do Olimpo a recordar o passado!

Chuva fina que mata a sede da montanha,
que no tocar a terra, transforma-se em barro,
canta o pássaro, a alegria dessa mágica façanha
pequena porção da vida, aprisionada num jarro!

Chuva constante que o solo vai saborear,
vem com a esperança do Criador abençoar,
o pequeno riacho que alegra o lavrador,
esta singela frase que agradece o trovador!

Marco Pardini