terça-feira, 27 de maio de 2014

Um sonho, talvez...

Um sonho talvez,
somente pensado,
num confundir de olhares,
apenas uma vez...

Na tarde de outono que vai,
nas folhas amareladas que caem,
pelo calor do sol,
ou na ordem superior, do pai.

Rima inacabada,
como o beijo não dado,
pelo poeta,
com a vida açoitada.

Naqueles meigos olhos,
sonhadores, sérios,
um mistério eterno,
n'alma recolho.

Apenas uma vez; mais;
pensamento confuso,
em cada novo olhar,
um sonho talvez...

Pedro Cesquim

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Libertação



Quero soltar-me no espaço vazio da consciência
sem medo da queda, sem medo do vale,
perceber minha mente livre a vagar na intransigência
de um segundo. A meditar na beleza de um único detalhe!

Que meus olhos tenham o brilho do enamorado,
que minha mente construa belos castelos,
tecendo no fino fio da vida um ponto enevoado,
em meio à turva imagem de seu semblante singelo!

Que o coração me impulsione por um caminho
onde a guerra e o amor sejam apenas companheiros
de um longo caminhar de cumplicidade e de carinho,
em que minhas mãos possam tocar o interno mosteiro!

Que as lágrimas banhem o cristal líquido da vida,
derramando um espesso véu de esperança,
ao tormento que me assola, que me convida,
a libertar do peso de minhas asas esta humana herança!

Marco Pardini