sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Quintessência

Terra, primeiro dos mágicos elementos,
símbolo que emana a fertilidade,
segurança que nos dá o alimento
semente que gera a vida em sociedade!

Água, segundo dos mágicos elementos,
energia que permeia todo o planeta,
força que molda qualquer segmento,
máscara que assume qualquer faceta!

Fogo, terceiro dos mágicos elementos,
poder interno que destrói ou aquece,
calor que invade e ressuscita o lamento,
luz irradiante que do Amor sempre cresce!

Ar, quarto dos mágicos elementos,
leve como a poeira que ofusca a visão
rápido e sutil como um momento,
sopro divino que exalta a Criação!

Éter, a chave que encerra todo o segredo,
vida que ressurge de si, em essência,
correndo solta por entre o rochedo,
antiga, oculta, eterna quintessência!

Marco Pardini

Lealdade

Viver sob o compasso de uma canção,
olhando o mar em sua plena imensidão,
esquecer que o desejo armargo de traição
é a manifestação da noite no coração!

Velozes são os caminhos que usa o vento,
silêncio, receio, imagens que cruzam o tempo,
sobre a rocha da incorruptibilidade me sento,
a aguardar o sussurro da verdade em seu momento!

Infinito é o aroma que emana das flores,
selvagem o ímpeto do coração pelos amores,
mente que aciona seus internos sensores,
na esperança de afastar de si seus temores!

Silêncio que guarda um profundo segredo,
desertos obscuros que afugentam o medo,
oceano que inunda a alma de saudade,
chaves da mais pura, sincera e bela lealdade!

Marco Pardini

Amizade

Corações que juntos torna-se igual
corpos separados pelo espaço e tempo,
átomos que se unem ao menor sinal
elo indestrutível criado num momento!

Vozes que se consagram num grande festim,
almas que se reencontram numa vida,
a desfazer o ódio num grande motim,
a recriar o amor numa imagem retida!

Mãos que se juntam em prol da consagração,
de reunir espíritos pela vida viajantes
união de sentidos em busca de oração
a irradiar a todos a luz de seus semblantes!

Corpos e corações a se reunir sob o brilho lunar
mãos e braços a aproximar do peito , a saudade
presença benigna que dos pulmões expulsa o ar
a bendizer ao universo a verdadeira amizade!

Marco Pardini

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Minh'alma

Minh'alma não é triste
Não chora as ilusões perdidas de Casimiro
E tampouco lamenta os sonhos que já tive outrora
Ela perambula pelas esquinas dos sonhos
Onde os homens não chegam
Alegre como a aurora de minha infância

Alexandre Alves

Hoje

Hoje eu quero apenas viver
Quero parar o mundo
Desligar meus sentidos
E deixar em minha mente
Somente a vaga lembrança
De minha existência

Hoje eu quero apenas viver!


Alexandre Alves.

Gota Humana

Sois apenas a gota do orvalho
que toca o solo no amanhecer
que irriga a terra em que o carvalho
com suas raízes, insiste em fortalecer!

Sois apenas a árida gota do deserto,
escorrendo sem destino pela calçada,
trazendo o tilintar da chuva para perto,
precipitando-se como lágrima, no colo da amada!

Sois apenas a solitária gota da chuva
que do ar se transforma em tempestade
a tocar a terra e torná-la turva,
como uma serenata inundada de saudade!

Sois apenas a gota que reluz o arco-íris,
aos raios de sol que a manhã traz eletrizante,
preces silenciosas que ecoam à deusa Osíris,
no vale solitário de um eterno caminhante!

Marco Pardini

Caminhante Solitário

Pelo vale sombrio da solidão,
reflete impávido o espelho da sorte,
a observar com cuidado o ancião,
esperando com paciência a própria morte!

Passos são dados rumo ao infinito,
numa eclosão de ruídos fez-se a Luz,
silêncio interior que encobre o mito,
sabedoria divina que se faz juz!

No voo intrépido do pássaro rodopiante,
brilha o espírito como um mensageiro,
trazendo consigo um algoz desafiante,
trancafeando a alma num escuro celeiro!

Na tranquila imensidão do espaço,
o vento do sem-fim traz de volta o veleiro,
cujo leme se transforma em próprio braço,
a conduzir-me pela vida por inteiro!

Marco Pardini

domingo, 19 de dezembro de 2010

Vozes da morte

Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!

Augusto dos Anjos

Ecos d’Alma

Oh! madrugada de ilusões, santíssima,
Sombra perdida lá do meu Passado,
Vinde entornar a clâmide puríssima
Da luz que fulge no ideal sagrado!

Longe das tristes noutes tumulares
Quem me dera viver entre quimeras,
Por entre o resplandor das Primaveeras
Oh! madrugada azul dos meus sonhares;

Mas quando vibrar a última balada
Da tarde e se calar a passarada
Na bruma sepulcral que o céu embaça,

Quem me dera morrer então risonho,
Fitando a nebulosa do meu Sonho
E a Via-Láctea da Ilusão que passa!

Augusto dos Anjos

Ao luar

Quando, à noite, o Infinito se levanta
A luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha tactil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!

Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!

Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinitésimo e o Indeterminado...

Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o Espaço com a minha plenitude!

Augusto dos Anjos

Velhos Livros

Os Velhos Livros
Têm cheiro de saudade
Os Miseráveis
Fausto... Hamlet... Beatrice

Os Velhos Livros
Trazem a Mensagem do Fernando
E uma comédia divinamente
Contada por Dante

Os Velhos Livros
Não morrem
Ficam lá
Entre as Ficções do Borges
E o Canto Geral do Neruda

Alexandre Alves

Meu espelho

Só depois de muito tempo
Deparei-me com meu espelho
Sem brilho
Pequeno
Mas ainda refletindo
Uma imortal esperança

Os espelhos não morrem!
Só nós
De vez em quando...

Alexandre Alves

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O céu de minha infância

O céu de minha infância
Não era só a casa de Deus
Eu tinha uma morada
Era quase um anjo

Chegava até a andar pelas nuvens
Tão perto de tudo... das estrelas.... dos planetas...
Tão perto de mim...

Oh distante céu
De silêncio eterno
Onde estou que não mais te vejo?

Alexandre Alves

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cheiro de felicidade

A felicidade é uma sensação estranha!
Não a conhecemos bem
Mas é sempre bem vinda

Um dia a vi descendo da lua
Em uma noite clara
Cheirava a dama da noite
E trazia em seus lábios
Um sorriso de despedida

Como era linda!

Alexandre Alves

Palavras

Permitam que elas saiam pelo mundo
Levando os sonhos e utopias
Que cruzem os mares
Que levem e tragam a esperança

Que sejam de bom dia, boa noite
Ou que não sejam, como o silêncio

Permita simplesmente que a palavra
Transforme-se em um sorriso

Alexandre Alves.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Solidão

Caminhando pelo vale sombrio da noite,
uma luz inerte me brinda com um sorriso,
meus olhos sangram destilados pelo açoite
de um incerto e distante amor omisso!

Meu silêncio espreita ao fundo o tenebroso...
medo, angústia, lágrimas que inundam o interno deserto
dunas sentimentais que formam um caráter orgulhoso,
areia que desfaz num segundo, um castelo de areia incerto!

Um ar angustiante preenche meus pulmões
de pedaços de uma alma que na solidão insiste
em gritar ao mundo suas mais secretas emoções,
de sofrer num choro calado algo que não mais existe!

Nos ponteiros do destino segue a vida seu curso bem cedo,
segundos do Eterno onde o cosmos cria seu próprio espaço,
onde a vida humana repousa no Absoluto seu cansaço,
e o espírito aventureiro descobre o próprio véu sem medo!

Marco Pardini.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Meus passos

Meus passos que de tão rápidos
Não os vejo
E minhas pegadas que direção alguma indicam...
Só me levam para distante de mim mesmo

Para onde vou não existo!
E apressadamente perco meus dias
Perdido no tempo
Como uma flecha errante

É hora de parar!

Alexandre Alves

Teus Olhos

Os teus olhos não são azuis
Não foram descritos por Florbela
Foram vistos por mim
Quando neles me encontrei

Dos teus olhos minha esperança parte
Mas sempre volta
Pois são eles a luz dos meus dias.

Alexandre Alves

domingo, 21 de novembro de 2010

Silêncio Interior

Silêncio que envolve o coração do abutre,
pequena esperança se abre no horizonte,
de apaziguar a dor que de nossa alma nutre,
de selar com amor a água de nossa interna fonte!

Silêncio que a morte um dia há de velar,
pequena lembrança se estende pela eternidade,
de infinitos sonhos que vem a palpitar
a memória daqueles que buscam a verdade!

Silêncio que habita a alma do mago,
pequena bonança que ressurge no limiar
da tempestade que invade o oculto lago
da pequena pétala que insiste em desabrochar!

Silêncio que permeia a luz que toca a noite,
pequena criança que vive a observar
o sofrimento daquele que descobre no açoite
a única forma que aprendeu de amar!

Marco Pardini

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vida e Morte

De um profundo sussurrar do amor,
uma fagulha de luz infinita se acende,
como o grito profundo de um trovador,
pelo nome de batismo uma alma atende!

Sua caminhada pela infância adormece,
no passar do tempo sua razão personifica,
o que é feio se afasta, o que é belo enaltece,
aprisionando sua alma a um corpo que modifica!

Distante da morte é chegada à fase adulta,
Em companhia perpétua, se unem fracasso e sucesso.
Da escuridão tem medo mas da luz, de alegria exulta,
do sonho perturbado, acorda com o suor impresso!

O tempo agora escoa pelas mãos do intrépido ancião,
corpo franzino que se tornou frágil como o vento,
se arrastando lentamente pelos grilhões do coração,
antes do exalar do último e derradeiro alento!

Marco Pardini

Renascer de um Anjo

Lindos olhos que emanam Harmonia,
pequenos gestos de um Ser Eterno,
seu nome ecoa aos ventos alegria,
luz que nos aquece em pleno inverno!

Pureza que ressurge em forma de criança,
vida que retorna à Terra neste momento,
para banhar nossas vidas de esperança,
e brindar nosso amor com doce sentimento!

Na busca da Felicidade ressurge a certeza,
que na infinidade do Amor existe um espaço,
e por detrás da plebéia renasce uma princesa,
com sua fada iluminando-nos a cada passo!

Quando embebo no cálice sagrado da infinita melodia,
sorrisos emergem de meu Eu Interior,
unindo-se ao brilho dos anjos que em sua sinfonia,
cantam o hino eterno de meu mais novo amor!

Marco Pardini

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A noite

A nebulosidade ameaçadora
Tolda o éter, mancha a gleba, agride os rios
E urde amplas teias de carvões sombrios
No ar que álacre e radiante, há instantes, fora.

A água transubstancia-se. A onda estoura
Na negridão do oceano e entre os navios
Troa bárbara zoada de ais bravios,
Extraordinariamente atordoadora.

A custódia do anímico registro
A planetária escuridão se anexa...
Somente, iguais a espiões que acordam cedo,

Ficam brilhando com fulgor sinistro
Dentro da treva omnímoda e complexa
Os olhos fundos dos que estão com medo!

Augusto dos Anjos

A esperança

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro - avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

Augusto dos Anjos

Versos de amor

Parece muito doce aquela cana.
Descasco-a, provo-a, chupo-a . . ilusão treda!
O amor, poeta, é como a cana azeda,
A toda a boca que o não prova engana.

Quis saber que era o amor, por experiência,
E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo,
Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,
Todas as ciências menos esta ciência!

Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo
Mas certo, o egoísta amor este é que acinte
Amas, oposto a mim. Por conseguinte
Chamas amor aquilo que eu não chamo.

Oposto ideal ao meu ideal conservas.
Diverso é, pois, o ponto outro de vista
Consoante o qual, observo o amor, do egoísta
Modo de ver, consoante o qual, o observas.

Porque o amor, tal como eu o estou amando,
E Espírito, é éter, é substância fluida,
É assim como o ar que a gente pega e cuida,
Cuida, entretanto, não o estar pegando!

É a transubstanciação de instintos rudes,
Imponderabilíssima, e impalpável,
Que anda acima da carne miserável
Como anda a garça acima dos açudes!

Para reproduzir tal sentimento
Daqui por diante, atenta a orelha cauta,
Como Marsias — o inventor da flauta —
Vou inventar também outro instrumento!

Mas de tal arte e espécie tal faze-lo
Ambiciono, que o idioma em que te eu falo
Possam todas as línguas decliná-lo
Possam todos os homens compreendê-lo!

Para que, enfim, chegando à última calma
Meu podre coração roto não role,
Integralmente desfibrado e mole,
Como um saco vazio dentro d'alma!

Augusto dos Anjos

O coveiro

Uma tarde de abril suave e pura
Visitava eu somente ao derradeiro
Lar; tinha ido ver a sepultura
De um ente caro, amigo verdadeiro.

Lá encontrei um pálido coveiro
Com a cabeça para o chão pendida;
Eu senti a minh’alma entristecida
E interroguei-o: "Eterno companheiro

Da morte, que matou-te o coração?"
Ele apontou para uma cruz no chão,
Ali jazia o seu amor primeiro!

Depois, tomando a enxada gravemente,
Balbuciou, sorrindo tristemente: -
"Ai! Foi por isso que me fiz coveiro!"

Augusto dos Anjos

O fim das coisas

Pode o homem bruto, adstricto à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!

Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A limpada aflogística de Davy!

Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho
Como o desaguadouro atro de um rio ...

E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!

Augusto dos Anjos

sábado, 30 de outubro de 2010

Impermanência

Olhar no espelho da vida e ver uma face refletida
talvez seja apenas o reflexo estampado da sorte,
um pequeno e insípido pedaço de vida revestida
ou apenas um suave e constante aviso da morte!

Olhar no espelho da vida pode muito simbolizar,
a arte de procurar no recôndito de si um abrigo,
o desejo de esconder do outro o que é amar,
ou encontrar na imagem refletida apenas um amigo!

Olhar no espelho da vida é como tocar o universo,
um interno mundo paralelo é possível descobrir,
no mergulhar profundo da vida tiro um verso,
onde o antigo e o novo devem para sempre coexistir!

Enxergar no espelho da vida a face do imperecível
é compreender que a matéria é apenas algo passageiro,
enquanto a mente humana se apega com o não imprescindível
a alma divina anuncia a impermanência das coisas ao forasteiro!

Marco Pardini

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A solidão tem cheiro de chuva

A solidão tem cheiro de chuva
E muitas vezes escorre pelos nossos sonhos
Como se fosse feita de nada

A solidão é isso mesmo: uma falta de tudo
Uma paz profunda

Alexandre Alves.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Busca Interior

No olhar do espelho vê-se o próprio reflexo,
Nasce do desejo interior uma estranha vontade,
De criar vidas diversas e mundos sem nexo,
De buscar na aparência da falência, a verdade!

Pequenas pedras são dispostas ao longo do caminho,
Lápides se espalham nessa eterna busca,
De seus espinhos, nascem rosas tocadas pelo carinho,
Cujas mãos do homem sua beleza apenas ofusca!

Árdua e cansativa é a subida à montanha,
O obstáculo, no entanto, envaidece o trovador,
Maior ainda é o caminho que se dirige à entranha,
Pois é nela que se conhece o verdadeiro Amor!

Pontos distantes de luz brilham no enigmático céu,
Silenciosas paragens estelares brindam a cidade,
Indicando que para viver é preciso rasgar o véu
Que oculta nossos olhos da doce Eternidade!

Marco Pardini

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Compaixão

Estar ao lado sem estar presente,
tocar a face do eterno amor,
é dizer com carinho aquilo que sente,
sem ser sol, transmitir calor!

Andar ao lado sem ter expressão,
beijar a fonte eterna de vida,
acariciar com a alma o coração,
e imprimir no peito a imagem sofrida!

Sentar ao lado mesmo que distante,
e sentir no corpo as marcas do tempo,
ouvir no silêncio o grito sufocante
de uma voz perdida no vento!

Deitar ao lado da solitária presença,
num simples palpitar de um coração,
é assinar no espírito sua sentença,
e permitir a si o despertar da compaixão!

Marco Pardini

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Desejo

Que todos os dias ao anoitecer,
seu sonho voe como papel ,
seu olhar vislumbre o por do sol,
sua lágrima role ao som de Ravel.

Que em cada novo anoitecer,
sua sabedoria assoberbe-se,
suas energias se renovem,
seus olhos re-encantem-se.

Que sempre ao anoitecer,
aumente o desejo de amar,
que você suspire de emoção,
Se encantando com o luar.

Que ao sabor do anoitecer,
seu coração repouse, sonhe,
ame, viva, e ansiosamente,
sua alma espere o alvorecer.

Pedro Cesquim.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sagrado Silêncio

E que o silêncio que permeia o espaço,
Deixe em seu coração apenas um traço,
Da esperança que o eterno existe,
Do caminhar à luz que no espírito persiste!

E nesse estado me ponho a pensar,
Será loucura ou será bobagem?
Aos loucos basta liberar as asas para sonhar,
Aos bobos, lutar pela perdida coragem!

E na lágrima de um orvalho crescem as flores,
E na busca pela vida conheço meus amores,
No escuro silêncio de minha mente
Escuto o suspiro do Onipresente,

A saudar o singelo e majestoso guardião,
Forte como o aço, sensível como o coração,
A pequena águia que a aurora desperta
Rumo ao infinito vôo da alma liberta!

Marco Pardini

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Antes que seja tarde!

Pai... como é bom dizer teu nome...
Podias ter qualquer um:
João, José,
Marcos ou Antonio,
mas, para mim,
teu nome seria
Pai, apenas.
Somente, pai...
Apenas, pai...
Pai, tu que me geraste
e criaste,
tu que me viste nascer
e crescer,
é a ti, Pai,
que dedico estes versos meus.
Não somente com poético
intuito,
ou, somente,
por agradar,
te querer,
ou, ainda,
por outra inspiração
me faltar.
Não...
É para ti, Pai,
que insuflou-me a vida,
quero dizer aquilo que,
talvez,
não consiga,
por serem tão limitadas
as palavras,
e por serem
tão poucas
as linhas...
Pai, ao dizer o nome teu,
sinto inundar-me
o coração,
de ternura e amor...
A vista se me turva,
ao querer, através
das lágrimas,
enxergar,
tanta aquiescência e
brandura.
O nó que me aperta
a garganta,
só não é mais forte,
que o nó de amor,
que a ti,
me prende.
Pai, tu que como o sol,
me iluminas,
que como a água,
me refrescas e,
as dores,
amenizas,
que como o pão,
alimentas-me,
a vida e os sonhos,
é a ti Pai, que peço,
compreensão.
Sim, Pai,
com a humildade da erva,
que se curva ante o jatobá
frondoso,
curvo-me perante a ti.
Como as folhas que sussurram ao vento,
venho a ti, também,
sussurrar de um perdão,
o pedido ...
Perdão pelas faltas minhas,
perdão por de tanto afeto
carecer,
perdão por te amar
e te ferir,
perdão, por não reconhecer
quão grande é teu amor.
Perdão pelas vezes que não chego a ti,
e aos ouvidos teus,
como do rouxinol,
o canoro canto,
mas como o rugir de trovões,
atordoante,
cego e ensurdecedor,
de tempestades,
as noites...
Perdão por esquecer ser eu,
tua filha...
Perdoa, Pai,
este insignificante ser,
que possui, como as flores,
da vida,
apenas um sopro,
que nas intempéries
como rosa altaneira
e orgulhosa,
se esquece,
que só as modestas
violetas
poupam...
E tão curto o tempo, Pai,
tão efêmera a vida...
Tu que me ensinaste,
do mal e do bem,
a distinguir,
o feio do belo,
o carnal do sublime,
perdoa esta filha tua,
que, para te dar,
tanto amor tem,
mas que, como os caracóis do jardim,
e os mariscos da praia,
se fecha e se esconde,
por, o caminho mais curto,
do entendimento,
apenas,
desconhecer...
Há quanto tempo , Pai,
quero dizer-te,
quero gritar-te e ao mundo:
- "Pai, como é bom ser tua filha."

Telma Regina

Metáforas

Alma que voa, livre, solta,
como pássaro que canta,
na natureza viva, na lida,
na poesia que encanta,
no sangue que vai e volta.

Alma que sonha e jura,
quando a química atrai;
e se transforma em vida,
na doce lágrima que cai,
da jovem que amadura.

Alma, do peito evapora,
eclode da castidade,
uma sensação doída,
um sabor, felicidade,
como uma metáfora.

Pedro Cesquim

sábado, 26 de junho de 2010

Sombras de minha ilusão

Quanto tempo terei para te encontrar
Se na sombra de minha ilusão
Vejo sempre teus olhos dentro dos meus?

Alexandre Alves

domingo, 16 de maio de 2010

Delírios de Amor

Linha minguante no horizonte,
como nova vida na atmosfera,
que arrebata minh’alma
e por tua luz meu coração palpita,
na ansiedade que se forma
por esse olhar eremita.

Linha de infinitas curvas,
clara como um sonho,
distante como o passado
que sorrateiro me alumbra.

Linha de último quarto...
crescente na mente, do crente,
que sente no sangue,
o calor que arde na manhã de verão.

Linha esticada como corda (bamba)...
que no vai-e-vem dos meus devaneios
até teu perfume o vento me traz...
fazendo arrepios assustosos,
quando distraído sonho
que me acomoda em teus seios...

Alves & Cesquim

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Meditação

O amanhã pertence a nós!
Ó Sol, levanta-te sobre os corações que sangram
E desabrocham como flores na manhã,
E também sobre o banquete do orgulho,
Ontem iluminado por tochas, e hoje reduzido a cinzas...

Rabindranath Tagore

Se não Falas

Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e agüentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

Rabindranath Tagore

Flor de Lótus

No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

Rabindranath Tagore

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tudo passa

Ainda com a visão turva
E a voz embargada
A tribulação é lembrada

O que parecia ser mentira
Tornou-se realidade
E sem permissão
A lágrima escorreu

Mas no garimpo
Encontra-se o lindo diamante
Na dor aprende-se a lição
Tudo passa

Ontem foi dor, hoje é alivio
Ontem foi carne, hoje é lembrança
Ontem foi tristeza, hoje é saudade
Ontem foi amiga, hoje é um anjo

Do quarto para o jardim
Do jardim para o infinito
Uma paz no semblante
Um repouso merecido

A lágrima que caiu ontem virou adubo
Para os Ipês
E hoje encanta os que chegam
Para repousar em meio aos Pinheiros

O dia terminou, o sono chegou
A lágrima secou
E a missão se cumpriu
Pois tudo passa

Lilica

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Por um fio

Apenas um fio
que separa tudo,
o bem e o mal,
o claro e o escuro,
o sonho da realidade,
o amor do ódio,
o nada do racional.

Apenas um fio,
como navalha,
na carne crua,
que corta e maltrata
quando não se mede,
a voz ou fala,
com quem pactua.

O fio da conversa,
que estimula a alma,
do sonhador,
que não mede,
não pensa, sensibiliza,
desfigura, que gera,
amor ou a dor.

Um fio d’agua,
que escorre na língua,
doce ou salgada,
como uma baba,
no escuro, no absurdo,
na sabedoria do ideal,
do tudo ou nada.

Um fio esticado,
uma corda bamba,
num equilíbrio abalado.
Vida de artista
que planta e colhe,
o que não se entende, na lida
de um amor não começado.

Pedro Cesquim.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar - é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu.

Desejo

Se eu soubesse que no mundo
Existia um coração,
Que só por mim palpitasse
De amor em terna expansão;
Do peito calara as mágoas,
Bem feliz eu era então!

Se essa mulher fosse linda
Como os anjos lindos são,
Se tivesse quinze anos,
Se fosse rosa em botão,
Se inda brincasse inocente
Descuidosa no gazão;

Se tivesse a tez morena,
Os olhos com expressão,
Negros, negros, que matassem,
Que morressem de paixão,
Impondo sempre tiranos
Um jugo de sedução;

Se as tranças fossem escuras,
Lá castanhas é que não,
E que caíssem formosas
Ao sopro da viração,
Sobre uns ombros torneados,
Em amável confusão;

Se a fronte pura e serena
Brilhasse d'inspiração,
Se o tronco fosse flexível
Como a rama do chorão,
Se tivesse os lábios rubros,
Pé pequeno e linda mão;

Se a voz fosse harmoniosa
Como d'harpa a vibração,
Suave como a da rola
Que geme na solidão,
Apaixonada e sentida
Como do bardo a canção;

E se o peito lhe ondulasse
Em suave ondulação,
Ocultando em brancas vestes
Na mais branda comoção
Tesouros de seios virgens,
Dois pomos de tentação;

E se essa mulher formosa
Que me aparece em visão,
Possuísse uma alma ardente,
Fosse de amor um vulcão;
Por ela tudo daria...
— A vida, o céu, a razão!

Casimiro de Abreu

O Amor

O que não é o amor senão algo inebriante
Que causa um doce vicio de amar mais e mais
Até que não exista mais o tempo
Até que nada mais exista

O amor se consome em si
Inefável como a própria vida.

Alexandre Alves

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Girando

Sol que gira,
do dia para a noite
da noite para o dia,
do porvir até o se pôr,
quando a ansiedade
n’alma da menina se cria.

Giro que o sol executa,
no arco-íris que se forma
na chuva da tarde,
num horizonte distante,
na praia ou na montanha,
no calor que arde.

Gira o giro, de sol a sol,
na cabeça, na vida,
num sonho na noite,
colorido, como girassóis,
num novo olhar, que vem
após o pernoite.

Pedro Cesquim.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã,
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda ti natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Álvares de Azevedo.

Soneto

Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! O seio palpitando…
Negros olhos as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!

Álvares de Azevedo

Poema 20

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: «La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos».

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

Pablo Neruda.

Linda!

Linda como a flor do Lírio
Que de esperança minh'Alma enche
Que segredos traz o tempo que
Sempre a tenho comigo?

Linda como a flor do Lírio
Simplesmente linda!


Alexandre Alves.