sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Antes que seja tarde!

Pai... como é bom dizer teu nome...
Podias ter qualquer um:
João, José,
Marcos ou Antonio,
mas, para mim,
teu nome seria
Pai, apenas.
Somente, pai...
Apenas, pai...
Pai, tu que me geraste
e criaste,
tu que me viste nascer
e crescer,
é a ti, Pai,
que dedico estes versos meus.
Não somente com poético
intuito,
ou, somente,
por agradar,
te querer,
ou, ainda,
por outra inspiração
me faltar.
Não...
É para ti, Pai,
que insuflou-me a vida,
quero dizer aquilo que,
talvez,
não consiga,
por serem tão limitadas
as palavras,
e por serem
tão poucas
as linhas...
Pai, ao dizer o nome teu,
sinto inundar-me
o coração,
de ternura e amor...
A vista se me turva,
ao querer, através
das lágrimas,
enxergar,
tanta aquiescência e
brandura.
O nó que me aperta
a garganta,
só não é mais forte,
que o nó de amor,
que a ti,
me prende.
Pai, tu que como o sol,
me iluminas,
que como a água,
me refrescas e,
as dores,
amenizas,
que como o pão,
alimentas-me,
a vida e os sonhos,
é a ti Pai, que peço,
compreensão.
Sim, Pai,
com a humildade da erva,
que se curva ante o jatobá
frondoso,
curvo-me perante a ti.
Como as folhas que sussurram ao vento,
venho a ti, também,
sussurrar de um perdão,
o pedido ...
Perdão pelas faltas minhas,
perdão por de tanto afeto
carecer,
perdão por te amar
e te ferir,
perdão, por não reconhecer
quão grande é teu amor.
Perdão pelas vezes que não chego a ti,
e aos ouvidos teus,
como do rouxinol,
o canoro canto,
mas como o rugir de trovões,
atordoante,
cego e ensurdecedor,
de tempestades,
as noites...
Perdão por esquecer ser eu,
tua filha...
Perdoa, Pai,
este insignificante ser,
que possui, como as flores,
da vida,
apenas um sopro,
que nas intempéries
como rosa altaneira
e orgulhosa,
se esquece,
que só as modestas
violetas
poupam...
E tão curto o tempo, Pai,
tão efêmera a vida...
Tu que me ensinaste,
do mal e do bem,
a distinguir,
o feio do belo,
o carnal do sublime,
perdoa esta filha tua,
que, para te dar,
tanto amor tem,
mas que, como os caracóis do jardim,
e os mariscos da praia,
se fecha e se esconde,
por, o caminho mais curto,
do entendimento,
apenas,
desconhecer...
Há quanto tempo , Pai,
quero dizer-te,
quero gritar-te e ao mundo:
- "Pai, como é bom ser tua filha."

Telma Regina

Metáforas

Alma que voa, livre, solta,
como pássaro que canta,
na natureza viva, na lida,
na poesia que encanta,
no sangue que vai e volta.

Alma que sonha e jura,
quando a química atrai;
e se transforma em vida,
na doce lágrima que cai,
da jovem que amadura.

Alma, do peito evapora,
eclode da castidade,
uma sensação doída,
um sabor, felicidade,
como uma metáfora.

Pedro Cesquim

sábado, 26 de junho de 2010

Sombras de minha ilusão

Quanto tempo terei para te encontrar
Se na sombra de minha ilusão
Vejo sempre teus olhos dentro dos meus?

Alexandre Alves

domingo, 16 de maio de 2010

Delírios de Amor

Linha minguante no horizonte,
como nova vida na atmosfera,
que arrebata minh’alma
e por tua luz meu coração palpita,
na ansiedade que se forma
por esse olhar eremita.

Linha de infinitas curvas,
clara como um sonho,
distante como o passado
que sorrateiro me alumbra.

Linha de último quarto...
crescente na mente, do crente,
que sente no sangue,
o calor que arde na manhã de verão.

Linha esticada como corda (bamba)...
que no vai-e-vem dos meus devaneios
até teu perfume o vento me traz...
fazendo arrepios assustosos,
quando distraído sonho
que me acomoda em teus seios...

Alves & Cesquim

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Meditação

O amanhã pertence a nós!
Ó Sol, levanta-te sobre os corações que sangram
E desabrocham como flores na manhã,
E também sobre o banquete do orgulho,
Ontem iluminado por tochas, e hoje reduzido a cinzas...

Rabindranath Tagore

Se não Falas

Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e agüentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

Rabindranath Tagore

Flor de Lótus

No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

Rabindranath Tagore

Soneto de um Amor infinito

Meu amor por ti sempre existiu, Além do tempo e das eras passadas, Teus olhos despertaram minhas estradas, E ao te tocar, meu mundo se ...