terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Amanhecer

Olhos humanos que se voltam ao horizonte,
no desejo de absorver um doce filamento,
na esperança de tocar com a alma uma fonte,
na tentativa de aprisionar no eterno, este momento!

Olhos humanos que das lágrimas surge um suspiro,
espírito calado que sorve gotas de orvalho,
vive a soluçar no espaço de um suspiro,
a costurar na retina um pedaço desse céu em retalho!

Olhos humanos insistem no alto em permanecer,
sentidos diversos escoam pelo pacato semblante,
pelo poros da vida, a Lua inicia seu adormecer,
no suspenso ar do silêncio, calado fica um homem hesitante!

Olhos humanos que esbarram na pintura de Deus,
executada pelas mãos invisíveis do oculto artesão,
não importa se os olhos são meus, ou são teus,
resta apenas a obra que se eterniza no porão do coração!

Marco Pardini

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