domingo, 11 de outubro de 2009

A Flauta Vértebra

A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.


Maiakóvski

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Anoitece

Quando a musa aparece,
feliz, radiante, na tarde fria,
para sonhar nos convida,
para viver uma poesia.

É como um pegar na mão,
seguir a dança,
sentir nos olhos,
do próprio coração,
um pulsar, com calma
na lágrima que desce.

É um doce suspiro,
ao sentir o dia completar,
e nele se aquecer,
como se o ar fosse faltar.

E na escuridão que chega,
soltos, contentes,
pirilampos, brincando
de pega-pega,
unindo nossas almas
quando docemente anoitece.


Pedro Cesquim

Em silêncio

Em silêncio te falo na voz do coração,
e nesse instante se afina a sintonia,
pondo nossos corpos em harmonia,
criando uma atmosfera de comoção.

Em silêncio te falo com muito carinho,
e sua presença se torna presente,
que mesmo sabendo voce ausente,
sinto seu respirar, de mim juntinho.

Em silêncio te falo com paz e calma,
e te imagino ouvindo e respondendo,
na sutil sabedoria do amor divino.

Em silêncio te ouço com minh'alma, e
calado, em extase, vou percebendo,
em unissono sua voz como um hino.

Pedro Cesquim

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Noite

A noite quando chega
Traz o teu cheiro de Lua
E a brisa mesmo que tardia
Meu sonho leva

A noite quando chega
Leva-me para teus sonhos
Embriaga meu pranto
Até que o sol apareça

Há noite que nunca chega...


Alexandre Alves Neto

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Poemas Azuis

Teu beijo não só é doce
É quente como uma tarde baiana
Ele é ondulado, ligeiramente, como teus cabelos
Teu beijo é assim mesmo, azul da cor do mar

As vezes não me sinto
Por sintonia completa nem me vejo
Apenas sinto o universo pulsando
Dentro do que instantes foi a minha mente
E nesses raros momentos só percebo
O azul claro dos meus sonhos, perdidos como eu

Outro dia estava eu passeando
Pelos teus olhos, subindo, descendo, ouvindo
Hora alegre, hora triste, em segundos que de tão intensos
Horas pareciam
Mas sempre te encontrando entre a terra
E o azul profundo do céu.

É só que te encontro,
Sem nada, sem ninguém
Eu, você e um sonho impossível
Talvez seja essa a maior vantagem de um sonho:
Amar sem limites

Oh mar azul de suaves ondas
De céu claro e cheiro de chuva
Mar de amor sem fim
Que se encontra tão longe de ti
Mas dentro de mim

Alexandre Alves Neto

domingo, 23 de agosto de 2009

Arte Poética

                                                   

Mirar el río hecho de tiempo y agua
y recordar que el tiempo es otro río,
saber que nos perdemos como el río
y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
que sueña no soñar y que la muerte
que teme nuestra carne es esa muerte
de cada noche , que se llama sueño.

Ver en el día o en el año un símbolo
de los días del hombre y de sus años,
convertir el ultraje de los años
en una música, un rumor, y un símbolo,

ver en la muerte el sueño, en el ocaso
un triste oro, tal es la poesía
que es inmortal y pobre. La poesía
vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
nos mira desde el fondo de un espejo;
el arte debe ser como ese espejo
que nos revela nuestra propia cara.

También es como el río interminable
que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
y es otro, como el río interminable.

Jorge Luis Borges

O Tigre


Tigre, tigre que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria?
Em que longínquo abismo, em que remotos céus
Ardeu o fogo de teus olhos?
Sobre que asas se atreveu a ascender?
Que mão teve a ousadia de capturá-lo?
Que espada, que astúcia foi capaz de urdir
As fibras do teu coração?
E quando teu coração começou a bater,
Que mão, que espantosos pés
Puderam arrancar-te da profunda caverna,
Para trazer-te aqui?
Que martelo te forjou? Que cadeia?
Que bigorna te bateu? Que poderosa mordaça
Pôde conter teus pavorosos terrores?
Quando os astros lançaram os seus dardos,
E regaram de lágrimas os céus,
Sorriu Ele ao ver sua criação?
Quem deu vida ao cordeiro também te criou?
Tigre, tigre, que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão, que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria?


William Blake
(Tradução Ângelo Monteiro)

Soneto de um Amor infinito

Meu amor por ti sempre existiu, Além do tempo e das eras passadas, Teus olhos despertaram minhas estradas, E ao te tocar, meu mundo se ...