domingo, 16 de maio de 2010

Delírios de Amor

Linha minguante no horizonte,
como nova vida na atmosfera,
que arrebata minh’alma
e por tua luz meu coração palpita,
na ansiedade que se forma
por esse olhar eremita.

Linha de infinitas curvas,
clara como um sonho,
distante como o passado
que sorrateiro me alumbra.

Linha de último quarto...
crescente na mente, do crente,
que sente no sangue,
o calor que arde na manhã de verão.

Linha esticada como corda (bamba)...
que no vai-e-vem dos meus devaneios
até teu perfume o vento me traz...
fazendo arrepios assustosos,
quando distraído sonho
que me acomoda em teus seios...

Alves & Cesquim

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Meditação

O amanhã pertence a nós!
Ó Sol, levanta-te sobre os corações que sangram
E desabrocham como flores na manhã,
E também sobre o banquete do orgulho,
Ontem iluminado por tochas, e hoje reduzido a cinzas...

Rabindranath Tagore

Se não Falas

Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e agüentá-lo.
Ficarei quieto, esperando, como a noite
Em sua vigília estrelada,
Com a cabeça pacientemente inclinada.

A manhã certamente virá,
A escuridão se dissipará, e a tua voz
Se derramará em torrentes douradas por todo o céu.

Então as tuas palavras voarão
Em canções de cada ninho dos meus pássaros,
E as tuas melodias brotarão
Em flores por todos os recantos da minha floresta.

Rabindranath Tagore

Flor de Lótus

No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão, procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

Rabindranath Tagore

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tudo passa

Ainda com a visão turva
E a voz embargada
A tribulação é lembrada

O que parecia ser mentira
Tornou-se realidade
E sem permissão
A lágrima escorreu

Mas no garimpo
Encontra-se o lindo diamante
Na dor aprende-se a lição
Tudo passa

Ontem foi dor, hoje é alivio
Ontem foi carne, hoje é lembrança
Ontem foi tristeza, hoje é saudade
Ontem foi amiga, hoje é um anjo

Do quarto para o jardim
Do jardim para o infinito
Uma paz no semblante
Um repouso merecido

A lágrima que caiu ontem virou adubo
Para os Ipês
E hoje encanta os que chegam
Para repousar em meio aos Pinheiros

O dia terminou, o sono chegou
A lágrima secou
E a missão se cumpriu
Pois tudo passa

Lilica

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Por um fio

Apenas um fio
que separa tudo,
o bem e o mal,
o claro e o escuro,
o sonho da realidade,
o amor do ódio,
o nada do racional.

Apenas um fio,
como navalha,
na carne crua,
que corta e maltrata
quando não se mede,
a voz ou fala,
com quem pactua.

O fio da conversa,
que estimula a alma,
do sonhador,
que não mede,
não pensa, sensibiliza,
desfigura, que gera,
amor ou a dor.

Um fio d’agua,
que escorre na língua,
doce ou salgada,
como uma baba,
no escuro, no absurdo,
na sabedoria do ideal,
do tudo ou nada.

Um fio esticado,
uma corda bamba,
num equilíbrio abalado.
Vida de artista
que planta e colhe,
o que não se entende, na lida
de um amor não começado.

Pedro Cesquim.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar - é lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu.

Soneto de um Amor infinito

Meu amor por ti sempre existiu, Além do tempo e das eras passadas, Teus olhos despertaram minhas estradas, E ao te tocar, meu mundo se ...