Uma tarde de abril suave e pura
Visitava eu somente ao derradeiro
Lar; tinha ido ver a sepultura
De um ente caro, amigo verdadeiro.
Lá encontrei um pálido coveiro
Com a cabeça para o chão pendida;
Eu senti a minh’alma entristecida
E interroguei-o: "Eterno companheiro
Da morte, que matou-te o coração?"
Ele apontou para uma cruz no chão,
Ali jazia o seu amor primeiro!
Depois, tomando a enxada gravemente,
Balbuciou, sorrindo tristemente: -
"Ai! Foi por isso que me fiz coveiro!"
Augusto dos Anjos
terça-feira, 2 de novembro de 2010
O fim das coisas
Pode o homem bruto, adstricto à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!
Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A limpada aflogística de Davy!
Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho
Como o desaguadouro atro de um rio ...
E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!
Augusto dos Anjos
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!
Rasgue os broncos basaltos negros, cave,
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A limpada aflogística de Davy!
Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho
Como o desaguadouro atro de um rio ...
E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!
Augusto dos Anjos
sábado, 30 de outubro de 2010
Impermanência
Olhar no espelho da vida e ver uma face refletida
talvez seja apenas o reflexo estampado da sorte,
um pequeno e insípido pedaço de vida revestida
ou apenas um suave e constante aviso da morte!
Olhar no espelho da vida pode muito simbolizar,
a arte de procurar no recôndito de si um abrigo,
o desejo de esconder do outro o que é amar,
ou encontrar na imagem refletida apenas um amigo!
Olhar no espelho da vida é como tocar o universo,
um interno mundo paralelo é possível descobrir,
no mergulhar profundo da vida tiro um verso,
onde o antigo e o novo devem para sempre coexistir!
Enxergar no espelho da vida a face do imperecível
é compreender que a matéria é apenas algo passageiro,
enquanto a mente humana se apega com o não imprescindível
a alma divina anuncia a impermanência das coisas ao forasteiro!
Marco Pardini
talvez seja apenas o reflexo estampado da sorte,
um pequeno e insípido pedaço de vida revestida
ou apenas um suave e constante aviso da morte!
Olhar no espelho da vida pode muito simbolizar,
a arte de procurar no recôndito de si um abrigo,
o desejo de esconder do outro o que é amar,
ou encontrar na imagem refletida apenas um amigo!
Olhar no espelho da vida é como tocar o universo,
um interno mundo paralelo é possível descobrir,
no mergulhar profundo da vida tiro um verso,
onde o antigo e o novo devem para sempre coexistir!
Enxergar no espelho da vida a face do imperecível
é compreender que a matéria é apenas algo passageiro,
enquanto a mente humana se apega com o não imprescindível
a alma divina anuncia a impermanência das coisas ao forasteiro!
Marco Pardini
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A solidão tem cheiro de chuva
A solidão tem cheiro de chuva
E muitas vezes escorre pelos nossos sonhos
Como se fosse feita de nada
A solidão é isso mesmo: uma falta de tudo
Uma paz profunda
Alexandre Alves.
E muitas vezes escorre pelos nossos sonhos
Como se fosse feita de nada
A solidão é isso mesmo: uma falta de tudo
Uma paz profunda
Alexandre Alves.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Busca Interior
No olhar do espelho vê-se o próprio reflexo,
Nasce do desejo interior uma estranha vontade,
De criar vidas diversas e mundos sem nexo,
De buscar na aparência da falência, a verdade!
Pequenas pedras são dispostas ao longo do caminho,
Lápides se espalham nessa eterna busca,
De seus espinhos, nascem rosas tocadas pelo carinho,
Cujas mãos do homem sua beleza apenas ofusca!
Árdua e cansativa é a subida à montanha,
O obstáculo, no entanto, envaidece o trovador,
Maior ainda é o caminho que se dirige à entranha,
Pois é nela que se conhece o verdadeiro Amor!
Pontos distantes de luz brilham no enigmático céu,
Silenciosas paragens estelares brindam a cidade,
Indicando que para viver é preciso rasgar o véu
Que oculta nossos olhos da doce Eternidade!
Marco Pardini
Nasce do desejo interior uma estranha vontade,
De criar vidas diversas e mundos sem nexo,
De buscar na aparência da falência, a verdade!
Pequenas pedras são dispostas ao longo do caminho,
Lápides se espalham nessa eterna busca,
De seus espinhos, nascem rosas tocadas pelo carinho,
Cujas mãos do homem sua beleza apenas ofusca!
Árdua e cansativa é a subida à montanha,
O obstáculo, no entanto, envaidece o trovador,
Maior ainda é o caminho que se dirige à entranha,
Pois é nela que se conhece o verdadeiro Amor!
Pontos distantes de luz brilham no enigmático céu,
Silenciosas paragens estelares brindam a cidade,
Indicando que para viver é preciso rasgar o véu
Que oculta nossos olhos da doce Eternidade!
Marco Pardini
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Compaixão
Estar ao lado sem estar presente,
tocar a face do eterno amor,
é dizer com carinho aquilo que sente,
sem ser sol, transmitir calor!
Andar ao lado sem ter expressão,
beijar a fonte eterna de vida,
acariciar com a alma o coração,
e imprimir no peito a imagem sofrida!
Sentar ao lado mesmo que distante,
e sentir no corpo as marcas do tempo,
ouvir no silêncio o grito sufocante
de uma voz perdida no vento!
Deitar ao lado da solitária presença,
num simples palpitar de um coração,
é assinar no espírito sua sentença,
e permitir a si o despertar da compaixão!
Marco Pardini
tocar a face do eterno amor,
é dizer com carinho aquilo que sente,
sem ser sol, transmitir calor!
Andar ao lado sem ter expressão,
beijar a fonte eterna de vida,
acariciar com a alma o coração,
e imprimir no peito a imagem sofrida!
Sentar ao lado mesmo que distante,
e sentir no corpo as marcas do tempo,
ouvir no silêncio o grito sufocante
de uma voz perdida no vento!
Deitar ao lado da solitária presença,
num simples palpitar de um coração,
é assinar no espírito sua sentença,
e permitir a si o despertar da compaixão!
Marco Pardini
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Desejo
Que todos os dias ao anoitecer,
seu sonho voe como papel ,
seu olhar vislumbre o por do sol,
sua lágrima role ao som de Ravel.
Que em cada novo anoitecer,
sua sabedoria assoberbe-se,
suas energias se renovem,
seus olhos re-encantem-se.
Que sempre ao anoitecer,
aumente o desejo de amar,
que você suspire de emoção,
Se encantando com o luar.
Que ao sabor do anoitecer,
seu coração repouse, sonhe,
ame, viva, e ansiosamente,
sua alma espere o alvorecer.
Pedro Cesquim.
seu sonho voe como papel ,
seu olhar vislumbre o por do sol,
sua lágrima role ao som de Ravel.
Que em cada novo anoitecer,
sua sabedoria assoberbe-se,
suas energias se renovem,
seus olhos re-encantem-se.
Que sempre ao anoitecer,
aumente o desejo de amar,
que você suspire de emoção,
Se encantando com o luar.
Que ao sabor do anoitecer,
seu coração repouse, sonhe,
ame, viva, e ansiosamente,
sua alma espere o alvorecer.
Pedro Cesquim.
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